Lançamento da “Campanha Saúde nas Esquinas: uma puta transa de direitos” esquenta o Dia Internacional da Prostituta

Prostitutas de todo o mundo comemoram e fazem do dia 2 de junho um dia de lutas para a conquistas de direitos. O Dia Internacional da Prostituta foi escolhido para ser também a data para a mobilização pelo lançamento de uma campanha ousada e pioneira: a Campanha Saúde nas Esquinas – uma puta transa de direitos. A representatividade é a principal marca e mérito da campanha. Em todo o processo estão as digitais de diversas prostitutas e suas organizações: Central Única de Trabalhadoras e Trabalhadores Sexuais (CUTS), Rede Brasileira de Prostitutas (RBP), Articulação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), Rede Trans Brasil e Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos convocadas pela Casa da Mulher Catarina, instituição que há 25 anos luta pelo respeito aos direitos sexuais, reprodutivos das mulheres e reafirma o feminismo como principal arma contra a desigualdade de gênero.

Casa da Mulher Catarina, com apoio do Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais/Ministério da Saúde executa um projeto sobre o tema da saúde de prostitutas no país. Assim, promoveu dois encontros para o diálogo, discussão, construção e definição de estratégias voltadas ao enfrentamento das iniquidades de gênero, da violência contra a mulher e da feminização da epidemia pelo HIV/Aids.

A Campanha Saúde nas Esquinas começou a ser construída durante o Seminário Nacional, realizado em Florianópolis, entre os dias 7 e 10 de Abril de 2016. Em Porto Alegre, nos dias 23 e 24 de maio, as redes do movimento de prostitutas voltaram a se reunir para criar e escolher os temas, mensagens, objetivos, identidades visuais e imagens que deram vida à campanha elaborada. Em uma oficina democrática e plural, fortemente identificada com a cultura dos movimentos e da profissão, foram produzidas todas as fotografias que ilustram os quatro cartazes temáticos, peças principais da campanha, além dos depoimentos em vídeo. Os temas gerais escolhidos pelas prostitutas foram: tesão e auto-estima, cidadania e trabalho, prevenção e segurança e união.

“Puta: prevenção, União, Trabalho e Afirmação”; “Puta + Tesão: uma transa a ser combinada” e “Puta com tesão, não baixa a calcinha sem prevenção” são as três mensagens escolhidas para desencadear “uma puta transa de direitos” que é o objetivo desta campanha, ou seja, promover uma transa (uma relação) que explicite, valorize e demande o respeito aos direitos desta população, historicamente estigmatizada, mas conhecida pela coragem e superação.

Antes de colocar a mão na massa, as representantes das redes discutiram temas polêmicos, reivindicações históricas e, como não poderia ser ignorado, a atual conjuntura nacional marcada por grandes retrocessos e ataques aos direitos das mulheres e da população LGBTT. Os debates fortalecem a união do movimento de prostitutas, que se caracteriza pelo dinamismo e criatividade na proposição política, possibilitados pela organização em rede, mantendo intacta a independência e combatividade dos coletivos, para além das tarefas institucionais.

Fatima Medeiros (representante da APROSBA e Rede Brasileira de Prostitutas) sintetiza o trabalho realizado ao afirmar que “Essa campanha foi criada por nós, para atingir principalmente as prostitutas, porque somos nós que sabemos o que é melhor para nossa população”.