Projeto Mulheres e Outras Mulheres na Prevenção promove oficina de arteterapia para prostitutas

Projeto Mulheres e Outras Mulheres na Prevenção, de iniciativa da Associação Casa da Mulher Catarina, busca estreitar o vínculo entre profissionais do sexo e o sistema de saúde. Semanalmente, uma equipe de agentes de prevenção do Projeto vai a campo e visita ruas e casas de prostituição na Grande Florianópolis, São José e Palhoça, para conversar com as profissionais do sexo sobre direitos humanos, dúvidas e demandas em relação   à saúde integral da mulher e outras políticas de garantia do exercício da cidadania. Facilitando o acesso  à informação, a equipe de agentes estimulam e encorajam as mulheres a procurar os serviços de saúde pública e buscar acesso aos seus direitos básicos. Por outro lado, o projeto também busca dialogar com profissionais da área da saúde sobre o atendimento e as particularidades e especificidades desta população

O projeto também prevê a realização de sete oficinas com prostitutas de Florianópolis, a partir de temáticas ligadas à prevenção da saúde, cidadania e direitos humanos. Cada oficina terá a participação de 15 mulheres, uma proposta diferente e dentro do espaço de trabalho das envolvidas. As primeiras foram ministradas pela psicóloga e arteterapeuta, Sayonara Salum, que usou valores da doutrina do Sagrado Feminino com o intuito conectar as mulheres ao corpo, buscando incentivar o cuidado consigo e com as outras ao redor. A arteterapeuta Sayonara Salum define o sagrado feminino como:”uma consciência antiga que nos religa à inteireza do nosso ser, integrado à terra e a todas as manifestações da natureza”.

“O que o feminino para você?’, perguntou a arteterapeuta Sayonara. Éramos três mulheres cis e nove transgênero: “Amor”, “Resistência”, “Beleza” e “Cuidado”, foram algumas das respostas sintéticas, ninguém queria se arriscar a falar muito.

“Como os outros vêem o teu feminino?” As respostas eram dadas enquanto as mulheres trançavam fios ao redor de um cipó, uma passava o rolo à outra, em uma metáfora da conexão criada pela condição feminina. A maioria das prostitutas responderam à pergunta afirmando com vigor que não mais se preocupavam com o que os outros pensavam. Uma delas lembrou do desejo, que os homens pensam que elas provocam, e do nojo de outros. A mulher, que escolheu a resistência como síntese do seu feminino, completou seu conceito de resistência: é acordar todos os dias para viver em um mundo que não aceita sua feminilidade como legítima, mas também não a conferiria o status de homem “normal”. “Dor”, “ferida” e fraqueza foram outras palavras expostas.

Em seguida, as mulheres dançaram como pássaros, sonharam na escuridão e acenderam velas em roda, como bruxas, guiadas pela terapeuta e sua voz doce. Para não esquecer da oficina, cada uma fabricou, sem necessidade de sentido racional, uma lembrança simbolizando o autoconhecimento desenvolvido durante a vivência.

Na segunda oficina, a proposta foi vivenciar, através da arteterapia, os diversos mitos das deusas gregas, como arquétipos de qualidades e possibilidades humanas. “Está é uma forma de recuperar, resgatar e resignificar o feminino, em um processo de encontro consigo, para alcançar uma vida com autonomia e liberdade”, explicou a intenção da evocação da mitologia grecoromana, Sayonara Salum.