DE CONVERSA EM CONVERSA…AVANÇAMOS – Roda de conversas sobre direitos reprodutivos

O projeto será destinado à sensibilização, informação e formação das comunidades locais, principalmente as mulheres para a questão dos direitos reprodutivos. A ênfase está na mortalidade materna, aborto, direito à saúde, legislação específica e informação sobre a mesma com vistas à organização da comunidade. O projeto é voltado para as mulheres que atuam nos conselhos locais e municipais de saúde, às agentes comunitárias de saúde, às militantes de movimentos sociais, principalmente de mulheres e de saúde, e comunidade em geral.

O principal problema observado, no campo dos Direitos Reprodutivos é a falta de diálogo e a compreensão correta do seu significado pelos seus opositores. Frequentemente tem o sentido ideologizado e transformado em algo pernicioso e diretamente ligado ao aborto e sua legalização.

Com esse auxílio financeiro a idéia é testar a melhor forma de difundir as verdadeiras idéias sobre os Direitos Reprodutivos para aprimorar a intervenção do movimento feminista nos espaços de Controle Social. Como esse ocorre em fóruns onde as ações são predominantemente discursivas, mediante uma retórica argumentativa (técnica e política) é necessário que haja competência e conhecimento do significado das palavras, das siglas e das expressões para se alcançar bons resultados assim como na produção de textos, panfletos e demais meios de divulgação. Para a elaboração de argumentos consistentes para os debates e defesa de nossas reivindicações é necessário conhecer o que é dito, divulgado e defendido nesse Brasil das crenças e preconceitos. Como se trata de um recurso pequeno as questões expostas serão executadas na forma de um projeto piloto nas regionais da RFS previamente selecionadas. Nesse financiamento atual serão envolvidas três regionais e quando obtivermos mais recursos o projeto será estendido às demais.

O Brasil atravessa uma fase de recrudescimento das idéias e ações conservadoras. Principalmente em se tratando de saúde da mulher e direitos reprodutivos e sexuais. No entanto, convivemos com a mortalidade materna (Razão de 69 por cem mil nascidos vivos em 2013 Fonte: CGIA/SVS/MS) alta, fora de qualquer padrão aceitável, o aborto claramente definido como questão de saúde pública devido à magnitude do dano (quinta causa de mortalidade materna – Fonte: CGIA/SVS/MS, em 2013 mas, certamente é maior se considerarmos que a segunda causa são as hemorragias nem sempre notificadas corretamente) , a precariedade e/ou falta de assistência ao parto (exemplos emblemáticos são os casos recentes das duas gestantes que pariram na calçada dos hospitais que não as atenderam, no Rio de Janeiro e na Bahia) pré-natal de baixa qualidade entre outros agravos. No entanto, aprofunda-se a agressão fundamentalista na qual todas as medidas voltadas para a saúde da mulher são para “incentivar o aborto e destruir a família”. Razão pela qual é necessário e urgente que trabalhemos estas questões junto às Unidades Básicas de Saúde e suas usuárias porque é nesse espaço onde se perpetram estas iniquidades e negligências. Ou seja, precisamos ir aos bairros e periferias.

Informar, sensibilizar e debater com os/as integrantes dos conselhos locais de Saúde, dos conselhos municipais dos direitos da mulher, agentes comunitários (as) de saúde e demais pessoas das comunidades as questões referentes a Direitos Reprodutivos com ênfase na mortalidade materna e aborto visando qualificar o debate sobre essas importantes causas de adoecimento e morte das mulheres. A finalidade principal é difundir junto às comunidades locais informações sobre os principais documentos e normas do Ministério da Saúde que tratam desses temas e que não são do conhecimento das mulheres e nem da comunidade. Debater estes assuntos mediante a aplicação de metodologia adequada; despertar a percepção sobre a necessidade de estudar e conversar sobre esses temas de forma mais qualificada e não comprometida com visões religiosas e fundamentalistas que dificultam a implementação das mesmas.

  • Reunião presencial com a participação das coordenadoras das Regionais da Rede Feminista, para apresentar, articular,  organizar e preparar  o desenvolvimento do projeto, considerando o contexto histórico, político e social de cada região.
  • Mapear, em cada município selecionado a existência ou não de Conselhos Locais de Saúde, Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, organizações de mulheres existentes nos bairros, presença de agentes comunitários de saúde nas Unidades Básicas de Saúde – UBS e locais onde a comunidade costuma se reunir (escolas, salões paroquiais, etc.)
  • Selecionar os locais onde serão realizadas as “RODAS DE CONVERSAS” e identificar as lideranças. Após esses primeiros contatos buscar reuni-las e mediante diálogos preparatórios conseguir a adesão das mesmas ao projeto e que participem da mobilização auxiliando no convite aos (às) prováveis participantes.
  • As rodas de conversas serão realizadas em locais disponíveis, na própria localidade e será adotada uma metodologia que estimule o debate, a crítica e a reflexão. Em geral as atividades da Rede utilizam a metodologia feminista, participativa, lúdica e descontraída.
  • Será realizado um processo de avaliação que contemple o que ocorreu em cada regional e no final um grupo específico fará a consolidação dos dados obtidos no conjunto das regionais.
  • Com a avaliação e análise dos resultados obtidos será produzido um relatório analítico e descritivo com a finalidade de difundir os resultados do projeto e, se possível, subsidiar a ampliação das atividades desenvolvidas nas Rodas de Conversas para outras organizações e entidades congêneres.